História real · J.K. Rowling · n. 1965

J.K. Rowling: as doze editoras que recusaram Harry Potter antes do sucesso

Edimburgo, Escócia · Leitura de 5 minutos

Ilustração de J.K. Rowling escrevendo à mesa de um café em Edimburgo

Quem foi J.K. Rowling

Inverno de 1994, no café The Elephant House, em Edimburgo. Uma mulher de 28 anos pede um café e o faz durar horas, porque cada moeda tem destino marcado e o apartamento gelado onde mora não tem aquecimento que ela consiga pagar.

Joanne Rowling estava separada, sem emprego fixo, vivendo do benefício social britânico, cerca de setenta libras por semana para sustentar a si e à filha bebê. Pelos próprios critérios, era o maior fracasso que conhecia.

Naquela mesa, com a xícara esfriando, ela escrevia sobre um menino órfão que descobre pertencer a um mundo mágico. O nome dela hoje aparece nas capas como J.K. Rowling, e a série do menino vendeu mais de quinhentos milhões de cópias. A distância entre a mesa do café e o número é o assunto deste texto.

A queda de J.K. Rowling: depressão e auxílio social em Edimburgo

Os anos anteriores àquela mesa foram uma sequência de portas se fechando. O casamento ruiu em poucos meses, em Portugal, e ela voltou à Escócia carregando a filha recém-nascida e três capítulos de um livro dentro de uma mala.

A mãe dela havia morrido de esclerose múltipla aos 45 anos, sem nunca saber que a filha escrevia algo. A saudade dessa mãe ausente virou o coração emocional do menino que ela criava no papel.

Rowling estava clinicamente deprimida, e a depressão, ela diria depois, não é tristeza, é ausência. Foi desse oco interno que ela tirou a imagem das criaturas que sugam toda a alegria do mundo, os Dementadores. O monstro mais assustador que inventou veio de dentro dela.

Sem dinheiro para fotocópias, datilografou o manuscrito inteiro numa máquina velha, batendo cada página mais de uma vez. Depois começou a enviar a história para as editoras.

A linha do tempo de J.K. Rowling

  1. 1965Joanne Rowling nasce em Yate, na Inglaterra.
  2. 1990A ideia do menino bruxo surge durante um atraso de trem, e ela começa a esboçar a história.
  3. 1994De volta a Edimburgo, separada e vivendo de auxílio, escreve nos cafés da cidade enquanto a filha dorme ao lado.
  4. 1995Termina o manuscrito e passa a enviá-lo às editoras. Doze recusam.
  5. 1997A Bloomsbury publica o primeiro livro numa tiragem de quinhentos exemplares.
  6. Anos seguintesA série chega a mais de quinhentos milhões de cópias, traduzida em mais de oitenta idiomas.

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As doze recusas que J.K. Rowling levou antes do sim

A primeira editora recusou. A segunda recusou. A terceira, a quarta, a quinta. Doze casas leram, ou nem leram, a história do menino bruxo e disseram não. Longo demais para crianças. Sem apelo comercial. Fora do que o mercado procurava.

Foi a décima terceira que abriu. A pequena Bloomsbury, em Londres, recebeu o manuscrito, e o presidente entregou o primeiro capítulo à filha de oito anos. A menina leu e exigiu o próximo. Esse foi o veredito que importou.

A editora ofereceu um adiantamento de mil e quinhentas libras, quantia tão pequena que o próprio editor aconselhou a autora a arrumar um emprego de verdade, porque ninguém enriquece escrevendo livro infantil. A tiragem inicial foi de quinhentos exemplares, e metade foi para bibliotecas.

Como J.K. Rowling saiu do fundo do poço para 500 milhões de livros

O livro saiu em 1997, e então veio a coisa mais rara do mercado editorial: o boca a boca. Crianças contavam para crianças. Pais não conseguiam fazer os filhos largarem as páginas. As reimpressões começaram a se empilhar, e os prêmios vieram atrás.

Uma editora americana comprou os direitos por um valor que, para quem havia datilografado o manuscrito à mão por falta de dinheiro, parecia ficção. Os sete livros venderiam juntos mais de quinhentos milhões de exemplares, em mais de oitenta idiomas.

A mulher que vivia de setenta libras por semana tornou-se uma das autoras mais lidas da história. E o número que mais pesa não é o de cópias, é o de leitores que, já adultos, repetem a mesma frase: este livro me salvou de uma infância difícil.

Repare no que a queda fez. A orfandade do menino veio da mãe que ela perdeu. Os Dementadores vieram da depressão que ela atravessou. O desejo de pertencer a um mundo melhor veio de uma mulher que, por dentro, não pertencia a lugar nenhum.

Perguntas frequentes

Quantas editoras recusaram J.K. Rowling?

Doze editoras rejeitaram o primeiro livro do menino bruxo antes de a Bloomsbury aceitar publicá-lo, na décima terceira tentativa. Vários leitores dessas casas acharam a história longa demais e sem apelo comercial para crianças.

Qual é o nome verdadeiro de J.K. Rowling?

O nome de batismo é Joanne Rowling, sem nome do meio. A editora pediu iniciais para a capa, temendo que meninos não lessem um livro assinado por uma mulher, e ela adotou o K de Kathleen, a avó paterna.

J.K. Rowling foi mesmo mãe solo e vivia de auxílio?

Sim. No início dos anos 1990, separada e com uma filha bebê, ela dependia do benefício social britânico, cerca de setenta libras por semana, e escrevia em cafés de Edimburgo por não ter aquecimento em casa.

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