História real · Niki Lauda · 1949-2019

Niki Lauda: o acidente na Ferrari em chamas e a volta às pistas em 42 dias

Nürburgring, Alemanha · Leitura de 5 minutos

Ilustração de Niki Lauda de capacete diante de um carro de Fórmula 1 em chamas

Quem foi Niki Lauda

1º de agosto de 1976, Nürburgring, Alemanha. Vinte e dois quilômetros de asfalto serpenteiam a floresta de Eifel sob chuva fina, e um piloto austríaco alinha a Ferrari no grid contra a própria intuição.

Niki Lauda não era o mais talentoso do grid, e tinha plena consciência do fato. Era o mais preparado. Enquanto os rivais confiavam no instinto, o austríaco media, anotava e calculava cada detalhe do carro e da pista. Ganhou o apelido de Computador.

Campeão mundial na temporada anterior, Lauda liderava o campeonato de novo. E fez a conta que ninguém queria fazer: aquele circuito era longo demais para um socorro chegar a tempo. Propôs aos colegas o boicote da prova, os pilotos votaram, e o boicote perdeu. O homem que apontou o perigo correu mesmo assim, porque correr era o ofício dele.

O acidente de Niki Lauda em Nürburgring

Na segunda volta, a Ferrari cruzou a pista sem controle, bateu no talude e virou uma bola de fogo com o piloto preso dentro. O capacete saltou com o impacto, e o fogo encontrou o rosto.

A queda de Lauda durou segundos e cobrou o preço de uma vida inteira. O carro parou em chamas no meio da pista, com o piloto lá dentro, consciente. Quatro pilotos pararam os próprios carros e mergulharam no fogo para arrancá-lo do cockpit.

Quando o tiraram, o rosto já não era o mesmo, e os pulmões tinham inalado os gases da fuselagem em combustão. No hospital, o quadro piorava a cada hora: queimaduras profundas na cabeça, sangue intoxicado, coma. Numa madrugada daquela primeira semana, um padre entrou no quarto e administrou a extrema-unção.

Os jornais rascunharam as páginas de adeus. Na Ferrari, já se discutia quem herdaria o carro número um. Para todos os efeitos, a carreira de Niki Lauda tinha acabado num barranco da Alemanha. Mas dentro daquele quarto, o computador seguia ligado, e Lauda decidiu, com a frieza de sempre, ficar.

A linha do tempo de Niki Lauda

  1. 1949Niki Lauda nasce em Viena, na Áustria, contra a vontade da família rica que o queria nos negócios.
  2. 1975Conquista o primeiro título mundial de Fórmula 1 pela Ferrari.
  3. 1º de agosto de 1976Sofre o acidente em chamas em Nürburgring e recebe a extrema-unção no hospital.
  4. Setembro de 1976Quarenta e dois dias após o acidente, volta a correr em Monza e termina em quarto lugar.
  5. Outubro de 1976Sob dilúvio no Japão, abandona a prova e abre mão do título por um ponto, por julgar o risco alto demais.
  6. 1977Volta a ser campeão do mundo.
  7. 1984Conquista o terceiro título mundial, por meio ponto de diferença.
  8. 2019Morre aos 70 anos.

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Os 42 dias de Niki Lauda entre o fogo e Monza

Quarenta e dois dias depois do acidente, Lauda entrou no paddock de Monza com as feridas ainda abertas sob a balaclava. Os médicos desaconselharam. A Ferrari já havia contratado outro piloto. Ele vestiu o macacão mesmo assim.

Terminou a prova em quarto lugar. Ao tirar o capacete, o tecido saiu grudado, manchado do sangue das feridas que não fecharam. O paddock inteiro entendeu que estava diante de outra categoria de coragem.

Semanas depois, sob um dilúvio no Japão, o mesmo homem estacionou o carro e abriu mão do título por um ponto, porque a conta do risco não fechava. Voltou cedo demais quando a ausência custava mais que a dor, e soube parar na hora certa quando o risco virou imbecilidade.

O legado de Niki Lauda: campeão do mundo três vezes

No ano seguinte ao acidente, em 1977, Lauda foi campeão do mundo outra vez. Sete anos depois, em 1984, levou o terceiro título por meio ponto de diferença, a menor margem já registrada na história da categoria.

Ele encarou o próprio espelho, aceitou o novo rosto marcado pelas cicatrizes e transformou a queimadura em instrumento de trabalho, recusando cirurgias estéticas que não fossem estritamente necessárias. O rosto ferido virou parte da lenda.

Lauda não esperou parar de doer para voltar ao grid. Calculou que a dor era administrável e a ausência, não. Coragem, na definição que a vida dele deixou, não é a ausência de medo, é a conta fria de quanto vale cada risco aceito.

Perguntas frequentes

O que aconteceu com Niki Lauda no acidente de 1976?

No dia 1º de agosto de 1976, em Nürburgring, a Ferrari de Lauda pegou fogo após bater no talude. Ele ficou preso no carro em chamas, sofreu queimaduras graves no rosto e inalou gases tóxicos, chegando a receber a extrema-unção no hospital.

Quanto tempo Niki Lauda levou para voltar a correr?

Quarenta e dois dias. Com as feridas ainda abertas sob a balaclava, ele voltou a competir no Grande Prêmio da Itália, em Monza, e terminou a prova em quarto lugar.

Quantas vezes Niki Lauda foi campeão de Fórmula 1?

Três vezes: em 1975, em 1977 e em 1984. O acidente quase fatal aconteceu entre o primeiro e o segundo título, o que torna as conquistas seguintes ainda mais notáveis.

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